sábado, 25 de junho de 2011

PEDREIROS COM SALÁRIO DE ENGENHEIROS


L.C.B., 35 anos, há pouco mais de um mês deixou a função de motorista de ônibus para se tornar técnico em construção civil. Ele aproveita uma oportunidade de qualificação proporcionada pela Escola da Construção do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT).

 A unidade, localizada no Distrito Industrial de Cuiabá, atraiu Barros não só pela possibilidade de obter a formação gratuita, mas também pela crescente oferta de vagas e pelos bons salários propostos pela maioria das construtoras. No setor em Mato Grosso, existem mais de 1,5 mil empresas.  
  
Dados do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Mato Grosso apontam que, só no ano passado, houve um aumento de 86% no número de postos de trabalho no Estado. O percentual equivale a pouco mais de 4,8 mil novos postos de trabalho. A expectativa é que neste ano o mercado precise ainda mais de mão de obra qualificada. Esse otimismo também é confirmado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Cuiabá e Municípios, Joaquim Dias Santana. “O setor está todo vapor e as empresas melhoraram as propostas salariais”, destaca o sindicalista.   

Com a grande demanda, muitas construtoras optam por aumentar a remuneração, uma maneira de conquistar os melhores trabalhadores. No setor, há pedreiros que conseguem faturar valores que se aproximam a de um engenheiro civil iniciante, que recebe aproximadamente R$ 2 mil. O mínimo oferecido é de R$ 682, valor que corresponde ao piso salarial de um servente. Muitos ainda contabilizam benefícios como vales alimentação e transportes, por exemplo. Se for mestre de obras, então, a renda pode saltar para R$ 5 mil ao mês.

Com todas essas vantagens, Barros já se denomina um futuro pedreiro e reconhece que, para conquistar um bom salário, é preciso se qualificar. “Todo mundo acha que trabalhar em obra remunera pouco. Não é verdade. Há bons salários sendo oferecidos para quem possui experiência. É por isso que estou aqui (na Escola da Construção), me aperfeiçoando”, afirma o aluno.

Falante e interessado na aprendizagem, o motorista se tornou líder de uma turma tão entusiasmada quanto ele. Sua equipe é composta por 27 futuros pedreiros. Inicialmente, a turma seria composta por 20 pessoas, mas a procura foi maior do que o esperado.

Otimista quanto ao curso, o quase ex-motorista de ônibus explica que tem também a possibilidade de atuar como autônomo, o que pode lhe garantir renda extra. “Mas eu pretendo mesmo ver minha carteira de trabalho assinada. Quero contar com o FGTS e a aposentadoria”, pontua. Ele também pretende levantar cada tijolo de sua casa. “Eu mesmo vou colocar a mão na massa para economizar o que eu gastaria com a mão de obra de outra pessoa”, explica.

Com a mesma energia, Maria Figueiredo Pedroso, 47 anos, também busca a qualificação profissional. “Por muito tempo trabalhei como empregada doméstica, mas para mim já não compensa. Ser pedreiro é a oportunidade que tenho de ter a minha carteira assinada e ganhar mais de R$ 1 mil por mês”, diz a ex-doméstica. 

Criando oportunidades

O gerente da Escola Senai da Construção, Nilson Luiz da Silva, explica que no passado, devido à desvalorização do trabalhador, muitas empresas foram perdendo profissionais. Por causa dos baixos salários muitos pedreiros, carpinteiros e até mestres de obras começaram a atuar por conta própria, muitas vezes realizando apenas “bicos”. “Isso foi provocando falta de profissionais. Hoje, a dificuldade de encontrá-los à disposição obriga as empresas a manterem estratégias para atrair mais trabalhadores”, relata Silva.

E a estratégia não está somente na oferta de remunerações mais altas, mas também na criação de oportunidades. Pensando nisso, o Consórcio Santa Bárbara/Mendes Júnior, responsável pelas obras de construção da Arena Pantanal, transformou o canteiro de obras em sala de aula. Com a parceria do Senai, 26 trabalhadores ganharam o curso de carpinteiro.

Escola da Construção

Segundo Silva, quase 30 mil trabalhadores foram qualificados em cinco anos de existência da Escola Senai da Construção. Na moderna estrutura de 42 mil metros quadrados, edificada em 2007, são oferecidos diversos cursos de qualificação profissional em vários segmentos, entre eles construção civil e elétrica. São cursos que visam atender a um setor que emprega formalmente mais de 16 mil pessoas somente em Mato Grosso. A maioria das aulas são práticas, em laboratórios que reproduzem as edificaç
ões.

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